Capa da Revista Habitale, edição 01, com a Dra. Irene Fanny Ritzel
Revista Habitale · Novo Hamburgo

Uma história que começou na infância e continua na vida adulta.

A Dra. Irene Fanny Ritzel nasceu em Novo Hamburgo e construiu uma trajetória que une consultório, ensino e saúde coletiva. Especializou-se em Odontopediatria, concluiu mestrado em Serviço Social e doutorado em Saúde Coletiva.

Desde 1993, muitas famílias passaram por seus cuidados. Em 2022, a antiga Dentoclínica deu lugar à Habitale: uma clínica criada para olhar a boca como parte da saúde, do bem-estar e da qualidade de vida.

Hoje, pacientes que chegaram crianças retornam adultos. O reencontro entre gerações abre uma conversa importante: por que dentes de pessoas jovens podem apresentar desgaste, sensibilidade, trincas e raízes expostas muito antes do esperado?

Dra. Irene Fanny Ritzel · Habitale Odontologia

Dra. Irene Fanny Ritzel sentada em uma poltrona na clínica Habitale
Da infância à vida adulta — um cuidado que acompanha gerações

Os pacientes cresceram. Os riscos também mudaram.

Cuidar bem da boca na infância constrói uma base importante, mas não congela o tempo. A alimentação, o sono, o estresse, o refluxo e novos hábitos passam a influenciar os dentes durante a adolescência e a vida adulta.

A Odontopediatria acompanha o nascimento dos dentes, o crescimento da boca, a mordida e os hábitos de cada fase. Diretrizes internacionais também destacam a continuidade do cuidado e a transição para o atendimento adulto conforme as necessidades de cada pessoa.[3]

Essa continuidade combina com uma visão mais ampla de saúde: o que acontece em uma fase da vida pode influenciar as próximas. A Organização Mundial da Saúde chama isso de cuidado ao longo da vida — conectar infância, adolescência, vida adulta e envelhecimento, sem tratar cada etapa como se fosse uma história separada.[4][5]

Um novo olhar para dentes jovens O envelhecimento precoce bucal está sendo estudado até na dentição infantil. Um protocolo científico recente propôs um índice para observar perdas de estrutura dental maiores do que o esperado na infância, considerando sinais, sintomas e diferentes causas em conjunto.[2]
“Há crianças que acompanhei no começo da vida e que hoje voltam ao consultório já adultas. Esse reencontro me permite ver como o sono, a alimentação, o refluxo, a ansiedade e o hábito de apertar ou ranger os dentes podem mudar a saúde da boca com o passar dos anos. Hoje, além da Odontopediatria, dedico cada vez mais atenção aos sinais da Síndrome do Envelhecimento Precoce Bucal.”

O cuidado muda junto com a pessoa

Na infância, a conversa pode estar concentrada na troca dos dentes, na higiene e no desenvolvimento. Anos depois, o mesmo paciente pode precisar investigar sensibilidade, desgaste, fraturas, gengiva retraída ou mudanças na mastigação. A história anterior ajuda, mas a avaliação atual é que mostra o que precisa ser protegido agora.

Dra. Irene Fanny Ritzel sentada atrás de uma mesa, com a cabeça erguida e voltada para o monitor
Reconhecer sinais antes que o desgaste avance

Quando os dentes parecem mais velhos que a pessoa.

A Síndrome do Envelhecimento Precoce Bucal (SEPB) descreve uma situação em que os dentes e outras partes da boca apresentam desgaste e danos maiores do que o esperado para a idade.

O Ministério da Saúde relaciona a síndrome à evolução precoce de problemas não causados por cárie. Entre os sinais estão dentes ficando mais curtos, sensibilidade, raízes expostas, gengiva retraída, trincas e danos na parte interna do dente.[1]

Sinais que merecem atenção

  • Dentes mais curtos, achatados, ásperos ou sem o brilho de antes.
  • Sensibilidade ao frio, ao ar, à escovação ou a alimentos ácidos.
  • Trincas, pequenas fraturas ou restaurações que quebram repetidamente.
  • Raízes aparecendo ou gengiva que parece ter “subido” ou “descido”.
  • Dor ou cansaço nos músculos do rosto ao acordar ou mastigar.
  • Mudança na mordida ou na forma como os dentes se encostam.

Esses sinais podem ter diferentes causas. Apertar ou ranger os dentes, dormir mal, viver com ansiedade, consumir bebidas muito ácidas, ter refluxo, praticar esportes com hábitos alimentares específicos e usar cigarro eletrônico aparecem entre os fatores discutidos pelo manual brasileiro.[1] O desgaste por ácidos também é descrito por consenso europeu como um processo químico e mecânico que não é causado por bactérias.[7]

Por isso, simplesmente cobrir ou restaurar uma área desgastada pode não resolver a origem do problema. O consenso sobre desgaste grave recomenda investigar a causa, acompanhar a velocidade das mudanças e priorizar medidas preventivas antes de tratamentos maiores sempre que possível.[6]

“Quando a boca envelhece antes da hora, restaurar um dente sem entender a causa pode não ser suficiente. O check-up ajuda a reconhecer desgastes, trincas, sensibilidade e gengivas retraídas, comparar mudanças ao longo do tempo e orientar um cuidado feito para aquela pessoa.”

Uma revisão sistemática mostrou que lesões de desgaste próximas à gengiva são frequentes em adultos, mas também revelou grande variação conforme a população e a forma de examinar.[8] Isso reforça por que números gerais não substituem o olhar individual.

O ponto de encontro

Check-up é comparar o presente com a história da sua boca.

O objetivo não é apenas encontrar um dente que precisa de reparo. É perceber mudanças, procurar suas causas e decidir o que pode ser protegido.

  1. Conversar sobre saúde, medicamentos, alimentação, sono, ansiedade, refluxo e hábitos.
  2. Examinar dentes, restaurações, gengiva, saliva e tecidos da boca.
  3. Observar desgaste, sensibilidade, trincas, raízes expostas e mudança na mordida.
  4. Comparar fotografias e exames anteriores quando estiverem disponíveis.
  5. Solicitar imagens somente quando forem realmente necessárias.
  6. Definir acompanhamento e cuidado para as necessidades daquela pessoa.

A saúde bucal acompanha toda a vida e participa da mastigação, da fala, da confiança e do bem-estar.[5] Quanto mais cedo uma mudança é reconhecida, mais cedo suas causas podem ser investigadas.

Procure atendimento diante de dor, inchaço, sangramento que não melhora, dente mole, fratura, ferida que não cicatriza ou mudança rápida na boca.

Habitale Odontologia · Desde 1993

Da primeira infância à vida adulta.

A formação em Odontopediatria, Serviço Social e Saúde Coletiva ajuda a Dra. Irene a enxergar cada pessoa além de um procedimento isolado. Na Habitale, o check-up conecta história, hábitos, sinais atuais e cuidado contínuo.

Se alguma mudança descrita nesta edição chamou sua atenção, o próximo passo é compreender o que está acontecendo antes de escolher qualquer tratamento.

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